Cátedra Ignacy Sachs – PUC-SP | NEF

Inca recomenda redução do uso de agrotóxicos para prevenir câncer

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O Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou nesta quarta-feira, 08/04/2015, documento em que se posiciona contra “as práticas de uso de agrotóxicos no Brasil” e ressalta os riscos à saúde do uso desses produtos químicos. A intenção é fortalecer a regulação e controle dessas substâncias e incentivar a agricultura orgânica. O documento chama a atenção para o fato de o Brasil ser, desde 2009, o maior consumidor mundial de agrotóxicos, com consumo médio mensal de 5,2 quilos de veneno agrícola por habitante. A venda de agrotóxicos no País passou de US$ 2 bilhões para US$ 8,5 bilhões entre 2001 e 2011.

“É importante destacar que a liberação do uso de sementes transgênicas no Brasil foi uma das responsáveis por colocar o País no primeiro lugar do ranking de consumo de agrotóxicos, uma vez que o cultivo dessas sementes modificadas exigem o uso de grandes quantidades desses produtos”, diz o texto.

As intoxicações agudas por agrotóxicos atingem os trabalhadores rurais, que sofrem com irritação da pele e olhos, cólicas, diarreias, dificuldades respiratórias, convulsões e morte.
“Há uma subnotificação da intoxicação aguda porque nos serviços de saúde muitas vezes os sintomas são confundidos com uma virose. Em 2013, houve 5.500 casos registrados”, afirma Márcia Sarpa de Campos Mello, da Unidade Técnica de Exposição Ocupacional e Ambiental do Inca. “A Organização Mundial de Saúde estima que, para cada caso notificado, outros 50 não foram comunicados.”

Os agrotóxicos também provocam efeitos por conta da exposição crônica às substâncias químicas, como infertilidade, impotência, abortos, malformações e câncer, informa o documento.

“Vale ressaltar que a presença de resíduos de agrotóxicos não ocorre apenas em alimentos in natura, mas também em muitos produtos alimentícios processados pela indústria, como biscoitos, salgadinhos, pães, cereais matinais, lasanhas e outros que têm como ingredientes o trigo, o milho e a soja”, diz o texto.

Já o nutricionista do Inca, Fabio Gomes, lembra que “a preocupação com agrotóxicos não pode significar a redução do consumo de frutas, legumes e verduras”. “São fundamentais em uma alimentação saudável e de grande importância na prevenção do câncer”, declara.

Fonte: UOL


Brasil foi o maior consumidor mundial de Agrotóxicos em 2014

Os agrotóxicos são produtos químicos sintéticos usados para matar insetos, pragas ou plantas no ambiente rural e urbano. Plantas absorvem parte dessas substâncias e esses resíduos acabam parando na maioria da mesa dos brasileiros, em alimentos que comemos todos os dias.

Essas substâncias não estão presentes apenas em alimentos in natura como frutas, legumes e verduras, mas também em produtos alimentícios industrializados, que têm como ingredientes o trigo, o milho e a soja, por exemplo. Elas ainda podem estar presentes nas carnes e leites de animais que se alimentam de ração com traços de agrotóxicos e até no leite materno.

Em abril de 2015, o Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou um relatório sobre o uso de agrotóxicos nas lavouras do país e seus impactos sob o meio ambiente e à saúde. Segundo o instituto, o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxicos. O país é um dos maiores produtores agrícolas do mundo e utiliza agrotóxicos em larga escala. Para o agricultor, os agrotóxicos são recursos para combater as pragas, controlar o aparecimento de doenças e aumentar a produção.

Em dez anos, a venda de pesticidas no mercado agrícola brasileiro aumentou de R$ 6 bilhões para R$ 26 bilhões. Atualmente, o país ultrapassou a marca de 1 milhão de toneladas, o que equivale a um consumo médio  de 5,2 kg de agrotóxico ao ano por pessoa.

Além de danos ambientais, a equipe do Inca alerta sobre os riscos de doenças como o câncer. Segundo o relatório, o que faz um alimento saudável é sua composição. Os agrotóxicos na alimentação podem alterar o funcionamento normal das células do corpo humano, causando mutações e maior probabilidade do desenvolvimento de doenças no futuro.

No Brasil, cerca de 450 substâncias são autorizadas para uso na agricultura. O Inca alerta ainda sobre o uso de muitos princípios ativos que já foram banidos em outros países. Dos 50 produtos mais utilizados na agricultura brasileira, 22 são proibidos na União Europeia.

Em 2014, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez um levantamento com amostras de alimentos em todo o país. No estudo, 25% apresentavam resíduos de agrotóxicos acima do permitido. O uso indiscriminado e abusivo desses produtos e a falta de fiscalização em relação a níveis seguros de substâncias aumenta o risco para a saúde dos brasileiros.

Para o Inca, antes de liberar a venda de defensivos agrícolas, o Brasil precisa de pesquisas sobre os potenciais efeitos e riscos à saúde humana decorrentes da exposição aos químicos, particularmente sua relação com determinados tipos de câncer.

A relação entre o consumo de agrotóxicos e o desenvolvimento de câncer e outras doenças já é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Uma pesquisa publicada na revista científica “The Lancet”, em março deste ano, pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (Iarc), classifica cinco agrotóxicos como prováveis agentes cancerígenos: tetraclorvinfós, parationa, malationa, diazinona e o glifosato. Esses agentes são liberados no Brasil, mas apenas o glifosato possui registro de produto. Em abril de 2015, a Anvisa anunciou que vai revisar a liberação do uso do produto no país.

Em 2012, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrascp) divulgou um relatório com estudos que comprovam que agrotóxicos fazem mal à saúde e provocam efeitos nocivos com impactos sobre a saúde pública e a segurança alimentar e nutricional da população.

Segundo o relatório, as intoxicações agudas por agrotóxicos afetam principalmente os trabalhadores rurais que entram em contato com doses altas desses químicos via pele ou pelos pulmões. Eles podem apresentar problemas como irritação da pele e olhos, coceira, cólicas, vômitos, diarreias, espasmos, dificuldades respiratórias, convulsões, desregulação endócrina e até a morte.

Já as intoxicações crônicas podem afetar toda a população que consome os alimentos com resíduos de agrotóxicos. Os efeitos adversos decorrentes da exposição crônica aos agrotóxicos podem levar vários anos para aparecer, dificultando a correlação com o agente.

Dentre os efeitos associados à exposição crônica a ingredientes ativos de agrotóxicos podem ser citados infertilidade, impotência, abortos, malformações, neurotoxicidade, desregulação hormonal, efeitos sobre o sistema imunológico e câncer.

Meio ambiente, transgênicos e agrotóxicos

Um fator que colaborou para colocar o Brasil no topo do ranking de consumo foi a liberação do uso de sementes transgênicas (geneticamente modificadas) no país. O cultivo dessas sementes exige o uso de grande quantidade de agrotóxicos.

Atualmente, o Brasil é o segundo maior produtor mundial de transgênicos, atrás apenas dos Estados Unidos. São mais de 42 milhões de hectares de áreas plantadas no país com esse tipo de semente, principalmente na produção de soja e milho.

Os agrotóxicos também contaminam o meio ambiente. A pulverização dos químicos acontece em sua maior parte por avião, contaminando o ar da região e áreas próximas, como cidades vizinhas que podem receber o químico levado pelo vento. Isso afeta animais como abelhas e insetos, que são importantes para o equilíbrio do ecossistema. No solo, os químicos podem influenciar na falta de compostos orgânicos e microorganismos e podem contaminar a água de córregos, rios, lençóis freáticos ou aquíferos.

Alimentos orgânicos são aqueles que não usam fertilizantes sintéticos, agrotóxicos ou pesticidas em seu método de cultivo. Os solos são enriquecidos com adubos naturais tornando esse tipo de alimento mais saudável e nutritivo. Apesar dos benefícios, o alimento orgânico é mais caro no Brasil, pois a produção é de baixa escala e a maior parte é proveniente da agricultura familiar, o que impacta no custo de distribuição e comercialização.

O uso de agrotóxicos se intensificou no Brasil na década de 1970, quando o governo buscou fomentar a produção de agrotóxicos para estimular o crescimento do agronegócio e garantir alta eficiência produtiva. Nesta época, o financiamento bancário para compra de sementes era atrelada ao adubo e o agrotóxico. Atualmente, a indústria química de defensivos agrícolas é isenta de impostos.

Uma das soluções para reduzir o uso dessas substâncias seria investir em projetos de larga escala de agroecologia, um meio ecologicamente correto e viável de se manejar e cultivar as plantas. Neste tipo de plantio, podem ser usadas técnicas conhecidas por engenheiros agrônomos e que não utilizam  químicos, como sistemas de irrigação eficiente, biofertilizantes que agem como inseticidas biológicos, alternância de plantações e rotação de espécies, adubação com restos orgânicos, compostagem, entre outros.

Países como a França, o maior produtor agrícola da Europa, já estão desenhando planos para a promoção de um modelo agroecológico, que concilie os níveis de produtividade e o impacto ambiental.

Fonte: UOL


 

Dossiê aponta Brasil como país que mais usa agrotóxicos no mundo

Relatório mostra que um terço dos alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros está contaminado por pesticidas

“Jeca Tatu não é assim. Ele está assim”.  Essa é a frase usada por Monteiro Lobato para justificar a preguiça de um dos seus personagens mais famosos.  A história que todos conhecemos mostra um caipira preguiçoso que passa os dias bebendo e não fazendo nada. Essa foi a sua rotina durante anos, até que um médico, espantado pela sua pobreza, resolveu examiná-lo, diagnosticando-o como portador de “amarelão”.

O “amarelão” é uma doença tropical, causada por vermes que entram no organismo via epiderme, principalmente pelos pés. Como Jeca Tatu morava em um lugar muito sujo e vivia descalço, acabou contraindo a doença sem perceber. Após um tratamento com remédios e o uso de um par de botas, ele se transformou em uma pessoa ativa, saudável e trabalhadora e sua fazenda prosperou como nunca antes.

Muitos acreditam que o autor estava criticando o espírito brasileiro, oriundo do descaso do governo, que transformava o cidadão brasileiro em um ser mediano, que não tinha condições de aspirar nada melhor na vida. Pois bem, ressalvas à parte, essa crítica é cabível, pois todos precisam de condições mínimas para serem pessoas respeitáveis e que possam ter algo que seja mais que uma mera subsistência – viver com o suficiente não é algo ruim, mas viver com qualquer coisa só por viver tampouco é correto.

Apesar de saneamento e outras necessidades básicas ainda serem uma preocupação no Brasil, é natural que tenhamos uma evolução no patamar de vida do brasileiro; 95 anos depois da publicação da história do Jeca Tatu, milhões de pessoas deixaram a linha da pobreza e outros milhares ascenderam à classe média. Porém, para alguns políticos, o povo ainda merece “estar” como o caboclo de Monteiro Lobato.

“Milhares de brasileiros que ganham salário mínimo ou que não ganham nada e que, portanto, precisam comer alimento com defensivo sim. Porque á a única forma de se fazer alimento mais barato”. Essas são as palavras da senadora Kátia Abreu, do PSD, ditas em 2011, quando ela queria que a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) agilizasse a aprovação de agroquímicos. O pedido pegou mal, principalmente por conta dos casos de intoxicação do leite materno por agrotóxicos, no Mato Grosso.

Nessa ocasião, todas as amostras de leite materno de um grupo de sessenta e duas nutrizes locais apresentaram pelo menos um tipo de agrotóxico analisado pela ANVISA. Os resultados podem vir da exposição ocupacional, ambiental e alimentar do processo produtivo da agricultura que expôs a população a 136 litros de agrotóxico por habitante na safra agrícola de 2010. Nessa exposição estão incluídas as gestantes e nutrizes, que podem ter sido contaminadas nesse ano ou em anos anteriores.

Atualmente, o Brasil é o país que mais usa agrotóxico no mundo.

Agrotóxicos no Brasil

A ABRASCO (Associação Brasileira de Saúde Coletiva) produziu um dossiê (veja na íntegra) sobre o tema, que apontou que na safra de 2011 no Brasil foram plantados 71 milhões de hectares de lavoura temporária (soja, milho, cana, algodão) e permanente (café, cítricos, frutas, eucaliptos). Isso corresponde a cerca de 853 milhões de litros (produtos formulados) de agrotóxicos pulverizados nessas lavouras, principalmente de herbicidas, fungicidas e inseticidas, representando média de uso de 12 litros/hectare e exposição média ambiental/ocupacional/alimentar de 4,5 litros de agrotóxicos por habitante.

As maiores concentrações de utilização de agrotóxicos coincidem com as regiões de maior intensidade de monoculturas de soja, milho, cana, cítricos, algodão e arroz. Mato Grosso é o maior consumidor de agrotóxicos, representando 18,9%, seguido de São Paulo (14,5%), Paraná (14,3%) e Rio Grande do Sul (10,8%), segundo o IBGE (2006), SINDAG (2011) e Theisen (2012).

Ainda existem dados mais alarmantes: um terço dos alimentos consumidos cotidianamente pelos brasileiros está contaminado pelos agrotóxicos, segundo análise de amostras coletadas em todas as 26 Unidades Federadas do Brasil, realizadas pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) da ANVISA (2011).

Mesmo que alguns dos ingredientes ativos possam ser classificados como medianamente ou pouco tóxicos – baseado em seus efeitos agudos – não se pode perder de vista os efeitos crônicos que podem ocorrer meses, anos ou até décadas após a exposição, manifestando-se em várias doenças, como cânceres, malformação congênita, distúrbios endócrinos, neurológicos e mentais (entenda mais sobre os efeitos dos agrotóxicos).

Existe o perigo de contaminação da água que, apesar de ser um assunto pouco pesquisado no Brasil, é preocupante. Segundo o IBGE, juntos, o esgoto sanitário, os resíduos de agrotóxicos e a destinação inadequada do lixo foram relatados como responsáveis por 72% das incidências de poluição na captação em mananciais superficiais, 54% em poços profundos e 60% em poços rasos. Ou seja, a presença de agrotóxicos nas fontes de água usadas para consumo e irrigação é real, mesmo que não se possa mensurar precisamente o quanto.

A Lei prevê alguma Regulamentação para o uso de agrotóxicos?

Outra importante questão envolvendo o uso dos agrotóxicos é a sua regulamentação.  De acordo com o EMBRAPA:

A classificação dos produtos agrotóxicos é apresentada no parágrafo único do art. 2º da Lei, sendo classificados de acordo com a toxicidade em:

classe I – extremamente tóxico (faixa vermelha);  classe II – altamente tóxica (faixa amarela); classe III – medianamente tóxica (faixa azul); classe IV – pouco tóxica (faixa verde).

O artigo 72 trata das responsabilidades para todos os envolvidos no setor. São responsáveis, administrativa, civil e penalmente pelos danos causados à saúde das pessoas e ao meio ambiente as seguintes pessoas:

  • o profissional, quando comprovada receita errada, displicente ou indevida (caso de imperícia, imprudência ou negligência).
  • o usuário ou o prestador de serviços, quando não obedecer o receituário. O comerciante que vender o produto sem receituário próprio ou em desacordo com a receita. O registrante, isto é, aquele que tiver feito o registro do produto, que, por dolo ou culpa, omitir informações ou fornecer informações incorretas;
  • o produtor que produzir mercadorias em desacordo com as especificações constantes do registro do produto, do rótulo, da bula, do folheto ou da propaganda.
  • o empregador que não fornecer equipamentos adequados à produção, distribuição e aplicação dos produtos e não fizer a  manutenção dos equipamentos.

O Futuro dos agrotóxicos no país

Diante desse cenário, parece que os agrotóxicos são uma verdade absoluta que o mundo moderno professa como necessária.  Assim como a senadora Kátia Abreu, muitos dizem ser impossível que se produzam alimentos sem o auxílio dos agrotóxicos. Mas outros – como o coordenador da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, Cléber Folgado – questionam.

Em entrevista, Cléber disse que é possível produzir alimentos em quantidade suficiente para atender as demandas da população sem o uso de agrotóxicos: “Hoje, a agricultura familiar produz 70% da comida que chega à mesa dos brasileiros, e faz isso com pouco veneno. De acordo com o Censo agropecuário do IBGE, apenas 30% das pequenas propriedades usam agrotóxico. Das grandes propriedades, são 80%. O que acontece é que a soja e o milho produzidos com muito agrotóxico acabam sendo exportadas como ração pra China”.

A respeito dos problemas de saúde que chegam à Campanha, Folgado é claro em dizer que o maior perigo são as intoxicações crônicas. “São pequenas quantidades de agrotóxico que vão se acumulando no organismo ao longo dos anos e às vezes com 5, 10, 15 anos, isso varia de organismo para organismo, dá problema. Aí tem várias doenças. Por exemplo, infertilidade masculina, muito comum, ou má formação das crianças. Outro problema muito grave é o câncer”, complementa.

Quanto ao futuro dos agrotóxicos ou ao uso deles em excesso, Cléber Folgado isenta a Legislação de culpa e afirma que o problema está na fiscalização feita pelas agências reguladoras : “A legislação brasileira de agrotóxicos é boa. O problema é que a maior parte do que está no papel não é cumprida ou cumprida apenas pela metade, porque o Estado não oferece condições para as agências fiscalizarem”.

Confira um documentário realizado por Silvio Tendler, com apoio de diversas ONGs e da Campanha Contra os Agrotóxicos e pela Vida:

 

Alternativas sim, desfecho não

Os biopesticidas aparecem como uma alternativa ao uso de agrotóxicos. Sua criação veio através da biomimética, área da ciência que estuda as estratégias e soluções da natureza para seus problemas, para que possam ser utilizadas pelo homem. Entre as vantagens do uso dos biopesticidas estão a menor toxicidade e o fato de causarem problemas apenas a pestes específicas, e não a pássaros e mamíferos (veja mais).

Segundo a EMBRAPA, em 2012, uma parceria com a Secretaria de Agricultura do Estado do Ceará possibilitou a construção de uma biofábrica para a produção de biopesticida BT, para ser distribuída gratuitamente entre pequenos produtores do estado, com propriedades de 2 a 10 hectares. A previsão é de que mais de 5.000 famílias já foram beneficiadas, tanto financeiramente, devido ao menor custo do biopesticida em relação ao defensivo convencional, quanto ambientalmente, por causa da não contaminação de rios e nascentes por produtos químicos

Apesar de algumas iniciativas sustentáveis pulularem por algumas regiões do País, ainda há muito a ser discutido para que possamos ter um desfecho satisfatório para ruralistas e ambientalistas. O grande problema é que, enquanto isso, pessoas podem ser lesadas e pagarem um preço muito alto: sua saúde. No caso do Jeca Tatu, o remédio foi  um par de sapatos. Mas, infelizmente, a solução não é tão simples para àqueles afetados pela exposição química no uso e no consumo de agrotóxicos. Decerto a vocação agropecuária de nosso país é enorme, em sua fronteira agrícola reside o potencial para solução dos problemas com a fome para além de nossa própria nação. Trata-se de um ativo estratégico, portanto é inegável a importância deste setor da economia para o país. No entanto, não se justifica, em hipótese alguma, o argumento de que seja necessário e fundamental o envenenamento das pessoas que consomem estes produtos, por quaisquer motivos apresentáveis. A questão, embora complexa, reside em um fundamento básico que aponta o nível de civilidade da espécie, a ética que a norteia, elemento escasso em algumas instâncias de poder, infelizmente.

Fonte: Ecycle


Herbicida causa câncer em ratos

Mesmo em quantidades cinco vezes menores que o considerado seguro, produto é perigoso

Os problemas causados pelo uso de agrotóxicos na agricultura estão sendo gradualmente revelados, o que mostra a importância de, sempre que possível, dar preferência a alimentos orgânicos. Essa é uma questão que não é importante apenas para a saúde, mas também para o meio ambiente.

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) corrobora essa necessidade. Foi descoberto que o herbicida sistêmico Diuron Nortox, utilizado em grande escala nas culturas de soja e cana no Brasil, é mais tóxico que o imaginado, causando câncer em ratos mesmo com níveis de exposição cinco vezes menores do que estabelecido como seguro, de acordo com o fabricante.

O trabalho evidencia que, ao ser eliminado pela urina, o agrotóxico ou seus metabólitos causam a necrose do tecido e, consequentemente, câncer na bexiga. Muitos dos efeitos só podem ser percebidos após longos períodos de exposição ao material tóxico.

Em grandes quantidades, o agrotóxico causou, além do câncer, a intoxicação sanguínea dos roedores, proporcionando problemas no funcionamento do baço. Além disso, ratas prenhas transmitiram a intoxicação para a geração seguinte. Já os ratos apresentaram perda de mobilidade de seus espermatozoides.

Pesquisas ainda são iniciais

Os pesquisadores alertam para o fato de ainda ser cedo para afirmar que o Diuron é tão tóxico para os seres humanos quanto é para os ratos. Mas mesmo assim, alertam para os possíveis riscos relacionados ao contato e ingestão desse tipo de produto químico.

O estudo também contou com a colaboração de pesquisadores da Universidade de Nebraska, nos EUA, e da Agencia de Proteção Ambiental norte-americana (EPA), que classifica o Diuron como um produto carcinogênico.

Veja também:
Os estragos causados pelo uso de agrotóxicos no mundo e no Brasil
Pesquisa mede nível de contaminação por agrotóxicos em verduras e frutas. Pimentão está em 1º lugar
Sementes transgênicas e pesticidas geram polêmica nos Estados Unidos

Fonte: Ecycle

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