Cátedra Ignacy Sachs – PUC-SP | NEF


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Women’s Rights

Despite great strides made by the international women’s rights movement over many years, women and girls around the world are still married as children or trafficked into forced labor and sex slavery. They are refused access to education and political participation, and some are trapped in conflicts where rape is perpetrated as a weapon of war. Around the world, deaths related to pregnancy and childbirth are needlessly high, and women are prevented from making deeply personal choices in their private lives. Human Rights Watch is working toward the realization of women’s empowerment and gender equality—protecting the rights and improving the lives of women and girls on the ground.

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Revolução feminista

Fonte: IstoÉ

Mulheres se organizam em redes de apoio para ajudar umas às outras, combater a violência e o preconceito e conseguir mais respeito e oportunidades, em um vigoroso movimento que envolve famosas e anônimas e tem gerado mudanças cruciais na sociedade

Nunca fomos tão fortes. No último ano, mulheres denunciaram publicamente homens poderosos em casos de assédios. Organizaram manifestações em diferentes países contra o feminicídio e pela manutenção e ampliação de direitos. Criaram redes de apoio para ajudar vítimas de violência doméstica, de agressões e de estupros. Desenvolveram grupos de debate e de apoio mútuo nas redes sociais. Discutiram e condenaram o machismo, o racismo e a homofobia e trouxeram força para a nova onda de um movimento que tem mudado mentalidades, comportamentos e relações. Diante de tamanha mobilização, “feminismo” foi escolhida a palavra de 2017 pelo dicionário americano Merriam-Webster e a busca pelo termo no Google cresceu 200% desde 2016. “Estamos em um momento em que o feminismo se tornou a grande força de enfrentamento não só do machismo, mas que leva adiante a luta anti-racista e pelos direitos das mais diversas minorias políticas”, afirma a filósofa Marcia Tiburi, autora do recém-lançado “Feminismo em Comum” (Rosa dos Tempos).

Entre os marcos do feminismo atual estão as redes de solidariedade desenvolvidas por mulheres. A maioria de apoio para vítimas de violência. “São alternativas criadas já que as instituições tradicionais não são responsáveis o suficiente”, afirma Tiburi. As conexões se dão, em grande parte, pelas redes sociais. O Fórum Nacional de Políticas Públicas para Mulheres é um dos grupos de referência, começou como uma página no Facebook e depois migrou para o Whatsapp e hoje inclui pessoas de todo o País. “A ideia inicial era trocar informações sobre cursos e artigos e reunir contatos”, afirma Ana Victoriano, dona da iniciativa. “Mas hoje se tornou uma comunidade de ajuda a vítimas de agressões. Não imaginei que tomaria essa proporção.”

Os pedidos de ajuda chegam diariamente e, por meio da rede, os contatos são feitos para que as mulheres possam receber orientação adequada. Depois de passar meses apanhando do marido, a advogada Maíra Moura Soares Neves, 41 anos, procurou Ana em outubro de 2017 e conseguiu deixar o casamento em que era agredida constantemente e do qual se via refém. “Em qualquer conversa, ouvia gritos de vagabunda ou recebia tapas”, diz. Moradora da cidade de Barra do Bugres, a 180km de Cuiabá (MT), era casada com um delegado e não tinha como denunciá-lo em uma delegacia. “Com certeza iam engavetar meu caso.” Maíra então usou o Facebook para pedir ajuda a Ana, que acionou conhecidas em São Paulo. Elas falaram com juristas no Mato Grosso que indicaram uma promotora em uma cidade próxima a dela. “Criaram uma corrente de ajuda”, diz. Em pouco tempo, uma denúncia foi feita contra o ex-marido de Maíra e ela se separou. A mesma promotora foi quem a ajudou a retirar seus pertences da antiga casa. Ao contar sua história, Maíra chora, respira fundo e conclui: “Eu estava de mãos atadas, mas essa rede de mulheres me salvou.”

Duas campanhas recentes que surgiram nos Estados Unidos dão o tom da amplificação das transformações: “Me Too” (“eu também”, em português), em que mulheres expuseram abusadores contando suas histórias; e Time’s Up (algo como “esse tempo acabou”, em tradução livre), que inclui a criação de um fundo para ajudar vítimas de assédio sexual na indústria do entretenimento em Hollywood. Além dessas iniciativas, o fim das “grid girls”, garotas que frequentavam os locais de provas da Fórmula 1 com roupas minúsculas, também é um indício da mudança de postura em relação às mulheres. Outro exemplo é o latino-americano Ni Una Menos, que organiza passeatas anuais contra o feminicídio. O movimento chegou também ao Oriente Médio. No Irã, em janeiro e fevereiro deste ano, mulheres protestaram contra a obrigatoriedade do uso do véu, em vigor desde 1979. Cerca de 30 foram presas em uma manifestação recente. Na Arábia Saudita, o governo mudou uma lei que exigia o consentimento de um homem para que uma mulher abrisse uma empresa. O feminismo tem se espalhando por vários lugares do mundo e há causas similares. Mas é preciso pensar nas diversas realidades enfrentadas pelas mulheres, inclusive no Brasil.

Feminismos. O feminismo brasileiro tem características específicas como a necessidade de pensar as diferentes perspectivas envolvendo gênero e, principalmente, raça, classe e sexualidade. É um dos debates mais atuais dentro do movimento. “Ser branca em São Paulo é diferente de ser negra e nordestina”, diz Mafoane Odara, coordenadora de projetos do Instituto Avon. Diretora executiva da Anistia Internacional e fundadora da ONG Criola, Jurema Werneck aponta que o feminismo clássico trata da mulher branca de classe média, mas há outras questões que precisam ser mais debatidas. “O movimento ainda precisa ver como lidar com a maioria das mulheres, e isso inclui negras, trans, entre outros grupos”, afirma. Ela complementa: “Não digo que as pautas não ressoem, nem estou negligenciando reivindicações, mas é preciso retornar aos princípios do próprio feminismo de igualdade e justiça e ter olhar mais amplo.” Integrante da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, Juliana Gonçalves afirma que hoje o correto é falar sobre feminismos, no plural, e sobre como os grupos estão se articulando. “As sufragistas e a queima dos sutiãs são sempre lembradas, mas a resistência começou bem antes”, diz. “Enquanto as mulheres brancas estavam batalhando para entrar no mercado de trabalho, minhas ancestrais já trabalhavam há muito tempo.” Gonçalves ressalta que respeitar diferenças não pode ser motriz de desigualdade ou separação. Pelo contrário, é o que dá mais força. “Mas é preciso escuta. Quem tem uma bagagem diferente não pode ser tratada como uma desigual, pois a intolerância se traduz em números que matam e ferem.”

No caso de mulheres negras, que representam um quarto da população brasileira, a sobreposição entre desigualdade de gênero e de raça resulta em números alarmantes. O Mapa da Violência 2015 mostra que a taxa de homicídios entre negras aumentou 54,2% entre 2003 e 2013. No mesmo período, a taxa entre brancas caiu em 9,8% (confira no quadro ao lado). Além disso, é o perfil social com os maiores índices de desemprego: 17,4% contra 11,6% da média feminina com ensino médio. Resistência do mercado de trabalho e violência constante são realidades também para transexuais e travestis, em um País com as mais altas taxas de assassinatos desse grupo no mundo. Em 2016, aconteceu uma morte a cada dois dias. Diante desses dados e com a popularização do feminismo, discute-se atualmente a necessidade de olhar para as diferentes questões e se unir para combatê-los. “Essas outras vertentes surgem como forma de forçar o feminismo mais hegemônico a repensar suas práticas e perspectivas, se não a luta só serve para garantir igualdade a um segmento muito específico de mulheres”, afirma a escritora e militante feminista trans Amara Moira.

Foi ao perceber a dificuldade de mulheres negras no mercado de trabalho que a empresária e coach Ana Bernardes teve a ideia de se dedicar a ajudá-las. Criou o grupo Afro Empoderadas e Empreendedoras, hoje com mais de 2 mil pessoas, e presta consultoria empresarial voluntária, em eventos e acompanhamento individual — como faz com a dentista Kátia Cristina da Silva Neves, que gere seu próprio consultório. “Percebi que somos nós por nós”, diz Bernardes. Para a promotora de Justiça Fabiana Dal’Mas Rocha Paes, especialista em disparidades de gênero, a luta pela igualdade de oportunidades é justificada pelo efeito positivo também no desenvolvimento econômico. “Contemplar a parcela feminina da população, mais de 50%, fará com que o País seja mais desenvolvido”, afirma. “Por isso, podemos dizer que ser feminista e exigir mais espaços e oportunidades para as mulheres não tem a ver com ideologia ou tendência política para a esquerda ou direita, é uma questão, inclusive, econômica”, diz. Paes ressalta que, no último relatório do Fórum Econômico Mundial sobre disparidades de gênero, o Brasil caiu da posição 79 para a 90. “Essa queda tem relação com a falta de mulheres em cargos de poder”. E isso inclui o ambiente político. “Com mais mulheres no Congresso, haveria mais medidas protetivas”, afirma. Na Câmara dos Deputados, elas ocupam 10,7% das cadeiras e, no Senado, 14,8%.

O feminismo tem fomentado também mudanças no cotidiano dos brasileiros. A exemplo da discussão sobre a diferença entre assédio e paquera, que ficou mais intensa no início de 2018, quando a apresentadora americana Oprah Winfrey fez um discurso no Globo de Ouro falando sobre as situações vividas por mulheres na indústria do audiovisual em Hollywood. Na sequência, 100 francesas assinaram uma carta falando sobre o direito do homem de importunar uma mulher. Quais os limites da interação durante um flerte? O que é considerado ofensivo? Perguntas que muitas pessoas se fizeram podem ter sido respondidas durante o Carnaval deste ano, época em que os casos de violência sexual chegam a aumentar em 90%. Durante a folia, em diferentes cidades, foram distribuídos adesivos e cartazes com a frase “não é não”. Vídeos se propagaram pelas redes sociais com dizeres como “depois do não, tudo é assédio” e “meu corpo não é folia”, marcas de cerveja investiram em publicidade se posicionando contra abusos, cantores em blocos e trios elétricos lembraram a todo momento que violência contra a mulher é crime. E mais uma vez mulheres se organizaram com a campanha “Aconteceu no Carnaval”, site que recebe relatos dos abusos sofridos.

“Exigir mais espaços e oportunidades para as mulheres não tem a ver com ideologia” Fabiana Dal’Mas Rocha Paes, promotora de Justiça.

No ambiente de trabalho, assédios também não são mais vistos com naturalidade. Nas empresas e instituições, mulheres têm se organizado para discutir situações e apontar nomes, inclusive expondo situações nas redes sociais. Um caso emblemático no Brasil envolve o ministério que é sinônimo da diplomacia: o Itamaraty, que registra casos recorrentes de embaixadores assediando sexualmente as funcionárias sem receber punição. “O fato de não haver mulheres na alta cúpula explica como um assediador pode ocupar o mesmo cargo até hoje, pois há apoio de chefes”, afirma uma integrante do Grupo de Mulheres Diplomatas, que falou à ISTOÉ sob anonimato. Para mudar esse cenário, é preciso que haja também envolvimento dos homens.

“Eles precisam entender a necessidade de abrir um espaço que é nosso mas que não estamos ocupando”, afirma a promotora Gabriela Manssur, autora do projeto Tempo de Despertar, curso voltado para explicar a agressores de mulheres a gravidade do crime e evitar que voltem a cometê-lo.

Nada a perder. Manifestações, campanhas, protestos, grupos, apoios. As redes de mulheres crescem e mostram o caminho que o feminismo brasileiro deve seguir nos próximos anos. A advogada Najara Barreto, 37 anos, é um exemplo de como uma ajuda pontual pode se expandir para o coletivo. Espancada pelo marido, não via a possibilidade de se separar por não trabalhar e ter que cuidar dos filhos. Com a ajuda do projeto Justiça de Saia, da promotora Gabriela Manssur, que auxilia vítimas de violência doméstica, conseguiu um emprego,  se separou e hoje trabalha na equipe de Manssur. “Passo meu celular pra quem quiser, converso com as mulheres pelo Whatsapp, dou apoio total. Depois do que passei e por ter conseguido me reerguer, quero fazer com que outras vítimas sejam salvas também”, diz. A projeção que o movimento feminista e de solidariedade tem ganhado pode acarretar, segundo Tiburi, em um avanço reacionário. “O feminismo vai ser combatido porque é inovador e transformador, porque garante liberdades individuais e é ultrademocrático. A lógica da história é essa”, diz. “O sistema social atual cria o medo: de denunciar em uma delegacia, de procurar ajuda, de se manifestar”, afirma Tiburi, que conclui: “Mas as mulheres perceberam que perderam espaço, que são violentadas, fisicamente e em sua dignidade, no seu corpo e no seu trabalho. E agora não há nada a perder com essa luta, que só vai crescer.”

 


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MALALA IN DAVOS We need to teach boys to be men

The education of young men on the subject of women’s rights is a crucial step to ending gender inequality, Malala Yousafzai said during a session in Davos.

“When we talk about feminism and women’s rights, we’re actually addressing men,” she said.

Men have a big role to play … We have to teach young boys how to be men. In order to be a man you have to recognize that all women and all those around you have equal rights and that you are part of this movement for equality.”

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ONU: As mulheres ganham 23% menos que os homens – o maior roubo da história

No mundo, as mulheres ganham em média 23% menos do que os homens. Quem afirma isso são as Nações Unidas, informando que o fenômeno – conhecido como o gender pay gap – é “o maior roubo da história”.

A informação é publicada por La Repubblica, 20-01-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

De acordo com dados coletados pela organização, não há distinção de áreas, setores, idade ou qualificações. “Não há um único país, nem um único setor em que as mulheres tenham o mesmo salário de homens“, afirmou o conselheiro da ONU, Anuradha Seth. Segundo a Eurostat, a situação da disparidade salarial italiana está entre as melhores do Velho continente, pouco acima de 5%. Mas a estatística europeia é construída sobre os salários por hora, não leva em consideração outros descontos da situação de trabalho das mulheres italianas. O Observatório Jopricing, que analisa os ganhos brutos anuais no setor privado, calcula a diferença na ordem de 12% do salário, cerca de 3 mil euros.

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They’re Waiting Longer, but U.S. Women Today More Likely to Have Children Than a Decade Ago

The share of U.S. women at the end of their childbearing years who have ever given birth was higher in 2016 than it had been 10 years earlier. Some 86% of women ages 40 to 44 are mothers, compared with 80% in 2006, according to a Pew Research Center analysis of U.S. Census Bureau data. The share of women in this age group who are mothers is similar to what it was in the early 1990s.

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Britain’s involvement in Yemen is making the situation worse

Driving through the monotonous desert that connects Yemen’s eastern provinces to the country’s northern highlands, the only break in the road as it heads towards a liquefied mirage are rusting oil barrels and makeshift wooden huts that mark the regular checkpoints dotted along the tarmac. Fuel tankers, food trucks and cement lorries pause as drivers hand bundles of green and yellow Yemeni rial notes out of their windows to scruffy soldiers. While government employees, from medical practitioners to street cleaners, continue their wait of more than a year for unpaid salaries, and while millions face starvation, these wads of cash fuel a war economy that is proving highly lucrative for some.

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